quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Subindo a ladeira da Helena

A Realidade da Felicidade

São todas iguais, as pessoas.
Passando e andando
e brigando e piscando
e amando e malhando
e vivendo.

Então como posso eu ser
assim tão diferente?
Eu também ando e penso.
E piso e pisco e penso.
E canto e danço e brinco
e penso.

Meu pensamento voa.
Voa tanto que se perde
na imensidão disforme
e absoluta e absurda
onde o real encontra o irreal
e se torna surreal.

O que seria da realidade sem mim?
Ela, tão absoluta e absurda.
E eu, tão diferente e indulgente.

E o que seria de mim
sem a metafísica das árvores?
E as luzes e as sombras da cidade?
E o brilho eterno e fútil da felicidade?

Fétidas são as minhas lembranças
e de uma esgotada esperança.
E só a grama e a lama
e a saudade de quem se ama
que me fazem continuar a sonhar e a esperar.

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